segunda-feira, outubro 17, 2005

LÁGRIMAS OCULTAS

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Só podia ser da Florbela Espanca,
e esse soneto tem destinatário concreto,
direto e reto.
Arghs!
Odeio segundas-feiras!

3 comentários:

Walter Mercado disse...

Oh coisinha, fica assim não!
Saia da concha, levante e balance o corpo. Hoje a lua cheia é a senha para você sacudir a poeira do chão e dar a volta por cima.
Você já ficou escondido tempo demais, não acha? Chega de dar atenção à loucura alheia e se magoar por tão pouco. Coloque o foco em vc, ponha seu talento na roda e divirta-se.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Pree disse...

Sr Walter,

Obrigada por ter feito um ctrl+c, ctrl+v no Horóscopo da Zero...mas não se preocupe que eu leio ele todo o dia ok?!