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quarta-feira, março 12, 2014

Volta

Depois da mudança
Adaptação
E muita letargia
Voltei

Palavras não podem ficar
Engasgadas na garganta

Sinto.

domingo, novembro 17, 2013

Starstuff



"The nitrogen in our DNA, the calcium in our teeth, the iron in our blood, the carbon in our apple pies were made in the interiors of collapsing stars. We are made of starstuff" - Carl Sagan.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Quando alguém te radiografa a alma

Apesar do jeito duro. Turrona.  Alguém disse com propriedade isso: Tu é de uma lealdade constrangedora. Sendo capaz de gestos de carinho e consideração e distinção ao próximo (os próximos que elege mediante rigorosa seleção ética, não moral, mas ética) que derreteriam até o coração de Nero,  Átila e (talvez) do Hitler.

sexta-feira, outubro 04, 2013

Meu pai sabe das coisas :)

They won't leave in the night, I've no fear that they might desert me!

segunda-feira, setembro 16, 2013

Era paz

É noite. Caminho nas ruas de Porto Alegre. Quando levanto a cabeça e olho o céu cinza com os galhos retorcidos das árvores, sorrio. A imagem emblemática foi uma espécie de pintura ao vivo. Era paz. Devia ter fotografado.

domingo, agosto 25, 2013

sexta-feira, julho 05, 2013

10.950 dias com ela

Não, não vou reclamar. Isso era uma certeza. Pelo menos no curso natural do sistema biológico, caso ele não fosse interrompido. Tinha que chegar. E chegou. Mas antes de falar "dela" - a minha nova idade -  é preciso falar de algo mais importante: "ela".
Ela me deu tombos. E muitos. E considero que eles vieram antes da hora. Mas a doença, a tristeza, o desamor não marcam data para chegar. E a cada queda eu percebi que ficava mais forte. "Aquilo que não me mata, me fortalece", já dizia o velho Nietzche. Aprendi a ter força na marra. Aprendi a lutar pelo que queria. Mas a luta não é só nas dificuldades mas sim quando encaramos desafios, novidades, até um relacionamento novo. Lembro que o meu primeiro emprego foi apenas para levantar grana para pagar a carteira de habilitação, aos 18 anos. Coisa que até hoje, não consigo assimilar como um grande feito na vida de uma pessoa. Não me sinto melhor nem pior que os outros por não ter determinada coordenação ou aptidão para algo na vida. Me falta disciplina. E sim, tem vezes que me envergonho de ter desistido dessa luta (aliás, foi a única em que fui entreguista). É importante nessa altura do campeonato reconhecer os próprios erros. Autocrítica na medida só nos faz crescer. Coragem menina, um dia você chega lá. 
Mas se não são os carros ou o esporte que me fascinam neste tempo todo, o que me encanta? Ou melhor o que "ela" me trouxe de bom?! Amigos, família, dinheiro, trabalho?! Não. Detalhes. "Ela" me trouxe os mais belos detalhes que uma garota poderia ter.
Música com ruído da agulha. Desde cedo minha casa era embalada por LP's no toca discos. A família reunida para o almoço. A espera angustiante pelo papai. O beijinho de boa noite e a mão de seda da mamãe. A hora do conto, as brincadeiras de lógica e memória, o riso de criança debaixo dos lençóis dos pais. A birra para não comer cebola. A falta de apetite. O quadro negro no quarto. A mão cheia de giz. O duro e traumático refluxo urinário que me deixou com apenas 1/2 do rim esquerdo. Pelo menos esse danado ainda funciona. Ufá.
Tudo se encaixava de forma perfeita no transcorrer das horas. A menina cresce. As Spice Girls. Os Beatles. O nome por causa do Elvis. E reparem: gostava de estudar. Ahhh quantas provas gabaritadas em história e literatura. O sonho de ser arqueóloga, pediatra ou historiadora. Tudo que a gente quer ser quando crescer é crescer. E de repente, lá estava eu, crescida. Entre a faculdade de fisioterapia ou de jornalismo. Mais uma vez os detalhes: A guria de voz grave, risonha e despojada que era líder de turma e andava de tênis adidas ouvindo Beastie Boys no walkmann organizava festas no colégio e até escreveu fanzines e jornais do centro acadêmico. Talvez os últimos anos na escola tenham definido meu destino profissional.  E a decisão foi ali, num 30 de julho qualquer enquanto chorava no colo da mãe. 
Desde então pensei que ser jornalista era ter o poder e a capacidade de mudar o mundo. Era um jeito de estar perto da História. E contar ela todos os dias. A visão romancista ainda mora no meu íntimo. Mas na prática, descobri que ser repórter é ser (mais uma vez) forte. Eu precisava ter a habilidade e o jogo de cintura para aguentar os prós e contras da profissão. Foi na rua. Nas chuvas, nos tiroteios, alagamentos, incêndios, descobertas cientificas, tragédias, carnavais. No dia a dia da reportagem que me tornei a profissional que sou. E o que sou?!  Sou ética, justa e verdadeira. 
Se me perguntarem: "o que a tua profissão te trouxe"? - Eu direi que a Verdade. E a descoberta de que "cada minuto pode ser o último".  
E foi e é por causa disso que valorizo mais e mais o Cosmos e o AMOR. O sentimento que não existe se não for real.. Não se encontra nas prateleiras e nem a ciência explica. Apenas sentimos. Simples assim. Eu acredito que o amor é detalhe. Jazz, arte, boa comida, admiração, livros, auroras boreais, banho de mar, astronomia, festas, cumplicidade, museus, cheiro de mato, gols, dança, velas, poesia, roupa limpa, cartas, aroma de infância, devoção, lugares novos, respeito e gente que me fascina. Isso é o amor. E se eu contar quem me fascina, fica fácil: amor é meu pai, minha mãe, meu Preto, minha família, meus afilhados e alguns bons e poucos amigos e amigas que conquistei pelo caminho.
Isso é amor. E sei bem porque cheguei ao 30 anos com tudo que tive direito: amando e sendo amada! Então, seus moleques, sejam bem vindos, porque bem vividos vocês já foram. Conclui: a idade - realmente - só melhora a gente. 
Afinal, graças a cada célula morta é que tenho "ela": minha apaixonante vida! E desde 5 de julho de 1983 dividimos 10 mil 950 dias de grandes histórias, algumas dores e muito, muito AMOR!

quinta-feira, julho 04, 2013

quinta-feira, maio 02, 2013

Em nosso sangue há algo do mar...

"As vozes estridentes de um milhão de gerações silenciadas no tumulto, no vazio ressonante do oceano, interminável no tempo. Sim, o mar, sempre ali esperando, embora nunca pensemos nele em nossas cidades, mesmo que ele possa estar marulhando junto a elas, mas em nosso sangue há algo do mar que ainda nos evoca numa felicidade escondida quando o vemos e o ouvimos, na memória de ainda estarmos imersos nele, como num ventre que nunca mais poderemos retomar. Flutuando. Bem longe, as aves marinhas grasnavam e chamavam e gritavam, em grandes alturas. O marulhar da água arrastava todas as coisas para o sonho. Julian se recostou, de olhos fechados, na cadeira de lona. Ele era como um falcão, um pássaro marinho, uma ave de rapina, uma águia-pescadora que faz ninho no mar. Ele deve ter tido ancestrais que se lançaram ao mar, em navios de guerra portugueses. A cicatriz era um minúsculo ouriço-do-mar". 

Lawrence Ferlinghetti, em Amor nos tempos de fúria.

terça-feira, abril 30, 2013

O magnético

Percebi a importância dele ainda na adolescência. Fui questionar a família  e descobri que foi por causa dele que vocês me chamam assim: Priscilla. Meus pais eram fãs de rock, para minha surpresa - descobri  agora - na idade adulta. Ela, a bailarina. Ele, o hidrólogo. Dois mundos diferentes, mas que com a convivência foram percebendo as semelhanças. E a música era uma delas. Foram a shows. E também tiveram uma juventude ao som do melhor que o mundo da música poderia oferecer:  Beatles,  Rolling Stones e ele - o Rei do Rock - Elvis Presley.

De couro é para matar a Wonder moça aqui...


Ainda menina eu ouvi muito "Kiss me quick" (a música favorita do meu pai) e Suspicious Minds (a 'fave' da mamãe). Com o advento do dvd ganhei uma coleção com shows e vídeos do Elvis e desde então ele entrou na minha vida com intensidade. Mas agora, em 2013, eis que pela primeira vez assisti um "The Elvis Tribute" - com o cover mais foda do cara. Foi uma experiência maravilhosa. Um espetáculo de dança, voz, música e homenagem. Foram quase 2 horas com as músicas que fizeram dele, mesmo trinta anos depois, o artista solo com o maior número de hits nas paradas mundiais, e mais, ele é o maior recordista em vendas de discos até hoje (ui). E foi ali, na confortável cadeira do teatro que percebi: nossa o cara é O CARA! Fico imaginando as pessoas que viram o verdadeiro. E ao ficar na internet assistindo os velhos registros dele (viva a televisão e o cinema que eternizam TUDO) cheguei a uma conclusão. Elvis não tinha só carisma, potência vocal e um rebolado de cair o queixo. Não, ele era mais que aquele rapaz com o rosto de traços perfeitos e roupa de couro. Ele prendia, hipnotizava. Ele era - definitivamente-  magnético.

Aqui um show completo, já nos anos 70, mais tiozão!



E que toda Priscilla tenha um rei.
A do Presley, foi rápida, teve o do rock. ;)

quinta-feira, março 21, 2013

E o céu aqui é dele...


O sol daqui é sem dúvida o mais bonito que já vi. Ele não é o sol que queima a pele nas areias do Rio de Janeiro, não é o sol bom para pegar as ondas em Santa Catarina, muito menos aquele sol para seguir atrás do trio elétrico em Salvador. Não! Nosso sol não é para agradar turista. Nosso sol faz parte da cidade.
Todo dia - quando aparece, é claro - ele nos sorri descaradamente. Beija os prédios, suspira pelos morros, invade janelas, franzi testas. Mas é lá no fim da tarde que ele teima em se exibir ainda mais, e com toda razão.  Descendo rapidinho no horizonte aquarelado do Guaíba ele reina absoluto, num espetáculo de beleza única, ímpar, iluminada e sensorial. Ele sabe quem é. ELE é o sol da contemplação. Aqui o astro rei não é apenas um cartão postal. Ele é sim um pedaço insubstituível e apaixonante do Cosmos em Porto Alegre. 

;)

terça-feira, janeiro 01, 2013

sexta-feira, dezembro 28, 2012

84 reais

Nunca pensei que veria algo tão bonito e encantador. Férias. Cidade do Rio de Janeiro. Calor. A casa estava lotada. Arquitetura e decoração incríveis. Afinal, era uma construção de 1909 -  e eu levei 103 anos para conhecer a beleza desse lugar: Teatro Municipal. Primeiro ato. 
Assim que as luzes se apagaram as cortinas abriram e um cenário lindo apareceu. Aos poucos bailarino por bailarino entrando em cena...numa sincronia perfeita, com total entrosamento estético. Mas para que tudo isso ficasse tão bonito foi preciso aliar à beleza do ballet a música clássica. Uma orquestra executava Tchaikovsky. Eu, meus ouvidos e meu coração no paraíso. Sopros, metais, cordas e aquele som enfeitiçador que vinha da harpa. O conjunto da obra só podia ter resultado numa das expressões artísticas mais belas que presenciei. Segundo ato. 
É como se congelassem o tempo e eu estivesse tão envolvida naquela apresentação que nada de ruim poderia acontecer ali.  E de fato, nada aconteceu. O corpo de baile executou toda a peça com leveza,  técnica e perfeição. Não houve erro em nenhum pas de deux (aquela hora que o casal de bailarinos dança junto). E sei disso, porque, como filha de uma bailarina aprendi muito sobre dança e claro dancei ballet durante seis anos. Não que eu seja alguém que hoje saiba executar um simples plie com dignidade, não, não consigo, mas vendo tudo aquilo não tinha como não saber que estava absolutamente tudo em ordem, no seu devido lugar. Ah, não posso esquecer dos músicos, escrevo esse post ouvindo a obra do russo Tchaikovsky e me lembrando da execução musical, coro e regência da orquestra. Esses músicos, um dia, ainda me matam do coração. Claro que a composição era uma velha conhecida, que muitos aqui já ouviram no trecho do clássico Fantasia da Disney, que conheci ainda criança. Vai ver vem de lá meu gosto pela música clássica. Ah, eu falei do autor mas não citei a composição em questão. Vi e ouvi "O quebra nozes". Um épico. Uma história natalina de encanto e alegria. É impossível não ver e sentir a beleza da arte  depois de duas horas de puro fascínio e beleza. E tudo isso de forma tão acessível.  Foram apenas 84 reais. Os mais bem gastos em quase 30 anos de vida. Um viva aos que trabalham - e muito - para deixar a cultura disponível para pessoas como eu e você.

domingo, dezembro 16, 2012

terça-feira, setembro 25, 2012

Saguão

Desci antes da hora
Apressei-me ainda mais
No desembarque
Procuro ele
Ele me procura
E ao cruzar olhares o corpo pára.
Camisetas e sapatos iguais.
Risos
E até uma vergonha.
Sincronia.
Almas gêmeas.
Idênticos.
Simples, como o Amor.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Les soir ou Les illusions perdus

Passaram-se alguns anos e aquela imagem continuava na minha memória. Horizontal, absoluta, linda. Percorri sites e mais sites procurando por ela. Até que lembrei que durante a visita ao Louvre eu escrevi numa caderneta o nome do pintor o ano e o nome da tela. Tarefa difícil foi encontrar a dita cuja, a caderneta. Mas agora, agorinha mesmo, no meio de uma arrumação no meu chamado "quarto de vestir", ou melhor "quarto da bagunça", eu encontrei. Revirei as folhas afoita e no alto de uma página, escrito a lápis estava o nome de Charles Gleyre, Paris 1874. Corri pro google, digitei e lá aparece o lindo lindo lindo quadro que há anos dá voltas na minha mente. 

                                              Eis a pintura, linda e que sou apaixonada...

E detalhe, no meio da minha pesquisa descobri que o Charles Gleyre é o famoso professor de Renoir e Monet, ele na verdade é o pai do impressionismo. Para saber mais clique aqui!