Tem o amor.
Tem o horror.
A guerra e paz de nossas células.
Cada segundo parece uma década.
Disciplina.
Onde estás?!
'S Wonderful! 'S Marvelous! You should care for me! 'S awful nice! 'S paradise! 'S what I love to see!
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segunda-feira, outubro 20, 2014
segunda-feira, setembro 16, 2013
Era paz
É noite. Caminho nas ruas de Porto Alegre. Quando levanto a cabeça e olho o céu cinza com os galhos retorcidos das árvores, sorrio. A imagem emblemática foi uma espécie de pintura ao vivo. Era paz. Devia ter fotografado.
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sexta-feira, setembro 13, 2013
Apenas começando
Foram mais de duas horas no trânsito. Bastou descer do carro para cair um temporal. Dizem que a chuva trás boa sorte. No meu caso, altera apenas a estrutura capilar. Estacionamento e ingressos pagos. E dali em diante foram 3 horas de encantamento, caminhadas, estandes e literatura. Fui com a intenção de olhar, matar tempo, passear, conhecer, tentando não liquidar o restante de verba das férias. Mas ali dentro do Riocentro entre milhares de livros é impossível (pra não dizer irresistível) não comprar. Além de ser mais fácil encontrar o que se procura, a Bienal do Livro do Rio - diferente da Feira do Livro de Porto Alegre - é um lugar onde as editoras têm espaço. E assim, localizar obras que vão além da auto ajuda e dos mais vendidos fica fácil. Sem falar nos preços que realmente valem a pena. O desconto não é de 5 porcento e os saldões incluem até livros de artes plásticas. Ah mas nem tudo é perfeito, metade dos expositores eram voltados para a literatura infantil e infanto juvenil. Mas pensando bem, que bom né?! É importante que os "pitocos" de hoje se apaixonem e muito pelas palavras, afinal serão eles os leitores de amanhã.
A experiência foi maravilhosa e as sacolas saíram recheadas. É, parece que a chuva me trouxe boa sorte. E já começo a suspeitar que o meu caso de amor com o Rio de Janeiro está apenas começando...
segunda-feira, setembro 02, 2013
Ainda me cura
Eu sonho com ele. Rimos. Ponho a cabeça em outras histórias. Sinto falta de papéis. Pequenos pedaços me dariam gozo. Monto casas. Com gosto.
Tenho dois fios visíveis de cabelos brancos. E torná-los públicos é como ficar nua. Nem toda nudez será castigada. Gostei dos pelos - tão polemizados - na última playboy. Acho que a mulher não é um objeto industrializado, maquinado ou usurpado que precisa se moldar a padrões de moda, estética ou desejos sexuais (será?). Todas as 15 janelas, ou melhor, sacadas do prédio da frente estão no escuro. Sou notívaga. Deito tarde. Não temo o futuro. Ando assim, sonhando sem pretensões. Com a pele bronzeada e o coração louco por um novo mundo doudo de aventuras. Teu riso. Assim, surreal. Ainda me cura.
sexta-feira, julho 05, 2013
10.950 dias com ela
Não, não vou reclamar. Isso era uma certeza. Pelo menos no curso natural do sistema biológico, caso ele não fosse interrompido. Tinha que chegar. E chegou. Mas antes de falar "dela" - a minha nova idade - é preciso falar de algo mais importante: "ela".
Ela me deu tombos. E muitos. E considero que eles vieram antes da hora. Mas a doença, a tristeza, o desamor não marcam data para chegar. E a cada queda eu percebi que ficava mais forte. "Aquilo que não me mata, me fortalece", já dizia o velho Nietzche. Aprendi a ter força na marra. Aprendi a lutar pelo que queria. Mas a luta não é só nas dificuldades mas sim quando encaramos desafios, novidades, até um relacionamento novo. Lembro que o meu primeiro emprego foi apenas para levantar grana para pagar a carteira de habilitação, aos 18 anos. Coisa que até hoje, não consigo assimilar como um grande feito na vida de uma pessoa. Não me sinto melhor nem pior que os outros por não ter determinada coordenação ou aptidão para algo na vida. Me falta disciplina. E sim, tem vezes que me envergonho de ter desistido dessa luta (aliás, foi a única em que fui entreguista). É importante nessa altura do campeonato reconhecer os próprios erros. Autocrítica na medida só nos faz crescer. Coragem menina, um dia você chega lá.
Mas se não são os carros ou o esporte que me fascinam neste tempo todo, o que me encanta? Ou melhor o que "ela" me trouxe de bom?! Amigos, família, dinheiro, trabalho?! Não. Detalhes. "Ela" me trouxe os mais belos detalhes que uma garota poderia ter.
Música com ruído da agulha. Desde cedo minha casa era embalada por LP's no toca discos. A família reunida para o almoço. A espera angustiante pelo papai. O beijinho de boa noite e a mão de seda da mamãe. A hora do conto, as brincadeiras de lógica e memória, o riso de criança debaixo dos lençóis dos pais. A birra para não comer cebola. A falta de apetite. O quadro negro no quarto. A mão cheia de giz. O duro e traumático refluxo urinário que me deixou com apenas 1/2 do rim esquerdo. Pelo menos esse danado ainda funciona. Ufá.
Tudo se encaixava de forma perfeita no transcorrer das horas. A menina cresce. As Spice Girls. Os Beatles. O nome por causa do Elvis. E reparem: gostava de estudar. Ahhh quantas provas gabaritadas em história e literatura. O sonho de ser arqueóloga, pediatra ou historiadora. Tudo que a gente quer ser quando crescer é crescer. E de repente, lá estava eu, crescida. Entre a faculdade de fisioterapia ou de jornalismo. Mais uma vez os detalhes: A guria de voz grave, risonha e despojada que era líder de turma e andava de tênis adidas ouvindo Beastie Boys no walkmann organizava festas no colégio e até escreveu fanzines e jornais do centro acadêmico. Talvez os últimos anos na escola tenham definido meu destino profissional. E a decisão foi ali, num 30 de julho qualquer enquanto chorava no colo da mãe.
Desde então pensei que ser jornalista era ter o poder e a capacidade de mudar o mundo. Era um jeito de estar perto da História. E contar ela todos os dias. A visão romancista ainda mora no meu íntimo. Mas na prática, descobri que ser repórter é ser (mais uma vez) forte. Eu precisava ter a habilidade e o jogo de cintura para aguentar os prós e contras da profissão. Foi na rua. Nas chuvas, nos tiroteios, alagamentos, incêndios, descobertas cientificas, tragédias, carnavais. No dia a dia da reportagem que me tornei a profissional que sou. E o que sou?! Sou ética, justa e verdadeira.
Se me perguntarem: "o que a tua profissão te trouxe"? - Eu direi que a Verdade. E a descoberta de que "cada minuto pode ser o último".
E foi e é por causa disso que valorizo mais e mais o Cosmos e o AMOR. O sentimento que não existe se não for real.. Não se encontra nas prateleiras e nem a ciência explica. Apenas sentimos. Simples assim. Eu acredito que o amor é detalhe. Jazz, arte, boa comida, admiração, livros, auroras boreais, banho de mar, astronomia, festas, cumplicidade, museus, cheiro de mato, gols, dança, velas, poesia, roupa limpa, cartas, aroma de infância, devoção, lugares novos, respeito e gente que me fascina. Isso é o amor. E se eu contar quem me fascina, fica fácil: amor é meu pai, minha mãe, meu Preto, minha família, meus afilhados e alguns bons e poucos amigos e amigas que conquistei pelo caminho.
Isso é amor. E sei bem porque cheguei ao 30 anos com tudo que tive direito: amando e sendo amada! Então, seus moleques, sejam bem vindos, porque bem vividos vocês já foram. Conclui: a idade - realmente - só melhora a gente.
Afinal, graças a cada célula morta é que tenho "ela": minha apaixonante vida! E desde 5 de julho de 1983 dividimos 10 mil 950 dias de grandes histórias, algumas dores e muito, muito AMOR!
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segunda-feira, junho 24, 2013
O que eu quero?
Dividir
O riso.
A cama.
A janta.
Uns pedaços de papel
Bem escritos.
Uma música inteira.
Cantada ao pé do ouvido.
Um cordão perto do coração.
Pra te manter comigo.
Para manter todos que se foram.
Bem perto do peito.
Um piano na parede.
Não preciso de cauda para som e fúria.
Um tique taque.
Pra contar cada hora que passa afastada.
Novas lentes
Para ver o mundo colorido.
Casa nova. Bairro novo.
Fotos para refrescar a memória quando ela falhar.
Um fígado resistente.
Joelhos fortes.
Pintura.
Poemas.
A livre expressão artística.
Um portrait.
É a velha tradição greco romana remanescente em meu sangue.
Banho de chuva.
De mar.
De mangueira.
Dançar de vestido solto e pés descalços.
Cartões.
Cheiro de roupa limpa no varal.
Uma nova aventura para se inspirar.
Cuba.
Um pedido.
Uma resposta.
A solução.
Ou simplesmente:
Deitar na cama e ser surpreendida.
É assim, foi assim...é o tal
poder do dia a dia.
O riso.
A cama.
A janta.
Uns pedaços de papel
Bem escritos.
Uma música inteira.
Cantada ao pé do ouvido.
Um cordão perto do coração.
Pra te manter comigo.
Para manter todos que se foram.
Bem perto do peito.
Um piano na parede.
Não preciso de cauda para som e fúria.
Um tique taque.
Pra contar cada hora que passa afastada.
Novas lentes
Para ver o mundo colorido.
Casa nova. Bairro novo.
Fotos para refrescar a memória quando ela falhar.
Um fígado resistente.
Joelhos fortes.
Pintura.
Poemas.
A livre expressão artística.
Um portrait.
É a velha tradição greco romana remanescente em meu sangue.
Banho de chuva.
De mar.
De mangueira.
Dançar de vestido solto e pés descalços.
Cartões.
Cheiro de roupa limpa no varal.
Uma nova aventura para se inspirar.
Cuba.
Um pedido.
Uma resposta.
A solução.
Ou simplesmente:
Deitar na cama e ser surpreendida.
É assim, foi assim...é o tal
poder do dia a dia.
É isso que eu quero.
segunda-feira, junho 17, 2013
12º andar
Nem penso no que eles pensam. Agora entendo porque o garoto não suportava as máquinas ferozes. Elas vivem podando sua criatividade e impondo sentenças medíocres para fins lucrativos. Sim, eu já sabia disso. Mas a gente sempre tenta mascarar a realidade. É como o botão que falta na camisa. O botão falta e você sabe que a camisa vai continuar servindo mesmo assim.
Ele disse vem. Não fui. E os azulejos permaneciam craquelados. Uma menina sorri no 12º andar. Ela olha para fantasmas. Mas não os teme. Ainda assim, sorri. O relógio da vida vai tiquetaqueando em minha cabeça. Cada minuto pode ser o último! A umidade relativa do ar afeta proporcionalmente os rins. Faz frio. Nem dá pra bater o queixo. No meio da multidão vi seu riso. Vem. Eu fui. Chega o momento em que as fichas caem e percebemos que mesmo sendo poeira cósmica, um instantinho fugaz, seremos sempre estrelas. Nunca aceite nada menos do que o brilho delas. E não são só números, verbas, gastos. E sim sentimentos. Emoções. Honra. Dignidade e Respeito.
E agora penso lógica e racionalmente como nunca havia feito antes.
Basta de empresas sanguessugas, de políticos corruptos, de mulheres malvadas, de um governo que não investe no que importa, de homens cretinos, de gente que rouba, de impunidade. Basta!
É hora de arrancar a camisa, esteja ela com ou sem botão.
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quinta-feira, maio 30, 2013
Fidel
Enquanto meu sangue ferver a reação química explica tudo. Não suporto migalhas. Sempre quero mais do que vem nos poemas, nas barras de chocolate, nos livros que alguns julgam tão complicados. Ele anda sempre com a mesma vitrola velha. Com os discos chatos e nada inovadores. Parei na frente da escultura televisionada. Vi e o pior - ouvi - ignorâncias ainda maiores frente a beleza da arte. Ah, o que nos salva vai muito além da sobrevivência fisiológica. Cortaria uma orelha. Alheia. Para não ouvir tanta besteira. Fizeste bem meu velho Vincent. Arrancaria com uma fome/fúria à lá Lecter alguns olhos e daria para os gatos comerem. Não me resigno. Canso do movimento diário. Do passado tão cheio. Do presente vazio. Mas me encanta o silêncio. A quietude de uma pessoa. A sala cheia de amor, mas sempre tão tranquila. Subo e desço escadas. O exercício já dura 3 décadas. Não canso. Aliás penso em mais degraus... Ainda tem essa merda toda rolando e o mapa mais lindo da América segue perdido. Caixas roxas. Falta paciência. Penso em Fidel. Dias de sol. O velho desejo desenhando-se na minha frente como uma noite quente no Caribe. Mulata.
quarta-feira, maio 29, 2013
segunda-feira, maio 13, 2013
domingo, maio 12, 2013
Me equilibrando na corda bamba da saudade para não cair
Ela me ensinou a ser forte, curiosa e independente. Vai ver por isso ela tenha ido embora tão cedo. Para testar na prática o que me ensinou. Suportei no osso a derrota da vida frente a uma doença terminal. E vivo me equilibrando na corda bamba da saudade para não cair. Sou forte. Vi e vivi nas ruas as histórias mais tristes e bonitas que podiam ser contadas. Sou curiosa. Me viro e pago a minha vida tanto outdoor quando no melhor indoor do mundo...a minha casa linda, cheia de quadros e uma cama magnética. Sou independente. Foram só 26 anos. Lado a lado. Numa convivência com todos os traquejos de uma família normal...brigas, amor, afeto, revolta.
Teimosa. Leal. Vaidosa. Amorosa. Tempestuosa. Fiel. Sociável. Bonita. Boa de briga. Minha Mãe.
Ela sempre aparentou ser mais nova do que a idade da certidão apontava. Não tinha rugas. Coisa de família. Todos os parentes com esse DNA de Bagé vieram abençoados com o gene do formol. Era só uma linha de expressão na testa. Marca da mulher sisuda que aos 60 parecia ter 50. Mas não era isso que me fazia ficar encantada por ela. Não. Era o jeito de prender o cabelo. Aquele rabo de cavalo que mantinha os fios em perfeição sem o uso de qualquer gel. Era o batom vermelho. Vermelho paixão e mais nada de maquiagem. Para ela lábios pintados já bastavam. A vaidade até para dormir. Lembro das camisolas, pijamas jamais, não são nada femininos, ela dizia. As pérolas em dias de festa. O cuidado com a pele. Ela passava horas se besuntando de cremes. Os anéis de prata e ouro. Lindos em dedos finos. De quem era bailarina mas poderia muito bem tocar piano. A palma da mão mais lisinha e macia que já toquei. Dava prazer tocar nas mãos dela. Eram suaves, delicadas. E ela tinha ainda aquele perfume. Um perfume de pele. Um aroma próprio. Doce, achocolatado. Quando ela saia do prédio, todos sabiam que ela havia passado pelo corredor. Ela tinha esse cheiro só dela. Não era um simples cheirinho de mãe. Não era um perfume importado.Mas era algo que ela trazia. Era o cheiro do amor. Daqueles que elas chamam incondicional.
E que hoje, no quarto dia das mães sem ela, faz uma falta tremenda.
Respiro. Inspiro. E o que me resta é lembrar.
quinta-feira, maio 02, 2013
Em nosso sangue há algo do mar...
"As
vozes estridentes de um milhão de gerações silenciadas no tumulto, no vazio
ressonante do oceano, interminável no tempo. Sim, o mar, sempre ali esperando,
embora nunca pensemos nele em nossas cidades, mesmo que ele possa estar
marulhando junto a elas, mas em nosso sangue há algo do mar que ainda nos evoca
numa felicidade escondida quando o vemos e o ouvimos, na memória de ainda
estarmos imersos nele, como num ventre que nunca mais poderemos retomar.
Flutuando. Bem longe, as aves marinhas grasnavam e chamavam e gritavam, em
grandes alturas. O marulhar da água arrastava todas as coisas para o sonho.
Julian se recostou, de olhos fechados, na cadeira de lona. Ele era como um
falcão, um pássaro marinho, uma ave de rapina, uma águia-pescadora que faz
ninho no mar. Ele deve ter tido ancestrais que se lançaram ao mar, em navios de
guerra portugueses. A cicatriz era um minúsculo ouriço-do-mar".
Lawrence Ferlinghetti, em Amor nos tempos de fúria.
Lawrence Ferlinghetti, em Amor nos tempos de fúria.
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terça-feira, abril 16, 2013
As pequenas gentilezas do caminho
Corro desenfreadamente. Todo dia. Celulares não param. Odeio a solidão das refeições sem família. E família pra mim são dois. Duas casas não são lares. São viagens. Minhas crianças crescem rápido e como são lindas. Até nisso, na infância, beleza é fundamental. Já diria o velho Vinicius. Ah o meu não é poeta e sim iconoclasta. Trabalho. Tenho aventuras. Histórias. Equipe. Mas é quando estou sozinha, ou lado de outras pessoas da família que acontecem aqueles momentos de rubor.
Meio dia, sol tinindo na cara. Corro, as usual. Campo de visão reduzido e mesmo tendo olhos de jaboticaba o sol franze a minha testa como se houvessem límpidas córneas azuis acima deste nariz. Ela devia ter uns 75. 80 anos no máximo. Me abraçou. Parabéns, minha filha. Parabéns. Aeroporto vazio. Domingo. Aperto no peito. Um carrinho se aproxima - pára - grita a mulher. Fico até assustada. Beijos e um abraço apertado. Daqueles carinhosos (e calorosos) mesmo. Fiquei meio sem ter o que dizer e ela saiu dizendo: lembra de mim? 5ª série? - Ah, como é bom encontrar uma professora que foi símbolo de uma educação feliz. Te vejo na TV, mas quero aqueles cabelos crespos de volta, guria. Eu também. E como.
Supermercado. Páscoa. Ovos sob nossas cabeças. Meu pai surtando com o povo e eu só queria fazer compras tranquilas. Deixa eu tirar uma foto contigo - num tom impositivo. Oi?! Te adoro, aos gritos. Mas não sou artista. Sou jornalista. Não interessa. Meu pai enche o peito. Rio. Strike a pose. Centro da cidade, 19h, entro no ônibus. No primeiro banco um vovôzinho. Desses de cabeça toda branca como algodão. Mal olho pro lado e ele diz: te assisto sempre. Aliás, tô indo pra casa agora te ver as oito e meia. Sou teu fã! Continua assim, menina. Os passageiros me olham. Agradeço constrangida. Mas ao sentar no banco eu penso: é de quem a gente menos espera que surgem as pequenas gentilezas do caminho.
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segunda-feira, abril 08, 2013
A leveza da paz
Mais uma cidade. Mais um hotel. Já são tantos. E tantas histórias. Ele escreve pra ca*****. Sim!
Cada vez mais e melhor. Essa coisa de falar e escrever demais. Matraca humana. Sei bem como é. Deve ser isso. Não há prazer melhor do que ler alguém. Sim, ler alguém. Cada livro é uma pessoa. Mas pouco importa. Dias de chuva. Na alma. Música nos ouvidos. Diga me com quem andas e te direi se vou junto. Leio. Sem parar. O rapaz latino americano continua o mesmo. Não há dúvida.
Ando. E como andei... as milhares de vidas noticiadas por aqui. Mudo. Vislumbro algo que o coração pede. A cortina do quarto 558 tá fechada. Ele poderia ser, ter, crer. E me pego pensando não é possível - e mais fácil - dar um tiro de misericórdia na cabeça de quem amamos? O velho poeta na sua velha roda de girar. Maresia estraga móveis, janelas, eletrodomésticos. E nós, tão feitos de carne e osso?! Enferrujamos?! Com aquela cor avermelhada, porosa e velha?! Limpe as arestas, meu filho. Sempre. Seja rápido. Senão...
Aquele mapa dos Estados Unidos aqui na mochila. As estrelas para contar. Os enigmas para desvendar. Bicicletas. Acordes. Aurora boreal. E os caretas com suas musiquinhas, choppinhos, papinhos de trabalho e filhos. Chatice.
(Re)percebi ao lembrar o velho guardanapo de papel. É isso pohan: VIDA!
Aquele mapa dos Estados Unidos aqui na mochila. As estrelas para contar. Os enigmas para desvendar. Bicicletas. Acordes. Aurora boreal. E os caretas com suas musiquinhas, choppinhos, papinhos de trabalho e filhos. Chatice.
(Re)percebi ao lembrar o velho guardanapo de papel. É isso pohan: VIDA!
Naquela noite esqueci de falar uma coisa. Era sono. Bebida. Paixão. Sei lá. Como dizem por aqui: "agora já eras". Remediamos. Ah, a era oposta. Sim garota, quero, agora, já. Segurança. A Revolução Russa e a Ditadura Militar no Brasil. Armas em punho. Pequenos e frágeis revolucionários. Cada um no seu mundinho. Mundanos.
Somos tão tão tão fodas. Tão tão tão fracos. 3,05 é definitivamente um roubo para uma passagem de ônibus. Abandono tudo que me faz mal. Não quero malas pesadas. Agora só bolsos e bolsas leves.
A leveza da paz.
Sobra tempo.
sexta-feira, março 22, 2013
Open your eyes...
All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old
The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine
Tell me that you'll open your eyes
Get up, get out, get away from these liars
´Cause they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time
Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine
Tell me that you'll open your eyes
All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
quinta-feira, março 21, 2013
E o céu aqui é dele...
O sol daqui é sem dúvida o mais bonito que já vi. Ele não é o sol que queima a pele nas areias do Rio de Janeiro, não é o sol bom para pegar as ondas em Santa Catarina, muito menos aquele sol para seguir atrás do trio elétrico em Salvador. Não! Nosso sol não é para agradar turista. Nosso sol faz parte da cidade.
Todo dia - quando aparece, é claro - ele nos sorri descaradamente. Beija os prédios, suspira pelos morros, invade janelas, franzi testas. Mas é lá no fim da tarde que ele teima em se exibir ainda mais, e com toda razão. Descendo rapidinho no horizonte aquarelado do Guaíba ele reina absoluto, num espetáculo de beleza única, ímpar, iluminada e sensorial. Ele sabe quem é. ELE é o sol da contemplação. Aqui o astro rei não é apenas um cartão postal. Ele é sim um pedaço insubstituível e apaixonante do Cosmos em Porto Alegre.
;)
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domingo, março 10, 2013
quinta-feira, março 07, 2013
Em menos de 4 meses eu chego lá...;)
As mulheres de 30
O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz:
'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.
Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?
Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!
A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.
A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.
Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.
O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.
A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?
Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.
São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.
Ponto. Pra elas.
Mário Prata
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quinta-feira, fevereiro 28, 2013
When the rain washes you clean you'll know
Gosto e faz tempo do The Corrs!
Now here you go again, you say you want your freedom
Well who am I to keep you down
It's only right that you should play the way you feel it
But listen carefully to the sound
Of your loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
And what you lost
Yeah, thunder only happens when it's raining
Players only love you when they're playing
Yeah, women they will come and they will go
When the rain washes you clean you'll know, you'll know
Now here I go again, I see the crystal visions
I keep my visions to myself
Well It's only me that wants to wrap around your dreams and
Have you any dreams you'd like to sell
Dreams of loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
- Drives you mad,
And what you lost, - remember what you had -
Now here you go again, you say you want your freedom
Well who am I to keep you down
It's only right that you should play the way you feel it
But listen carefully to the sound
Of your loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
And what you lost
Yeah, thunder only happens when it's raining
Players only love you when they're playing
Yeah, women they will come and they will go
When the rain washes you clean you'll know, you'll know
Now here I go again, I see the crystal visions
I keep my visions to myself
Well It's only me that wants to wrap around your dreams and
Have you any dreams you'd like to sell
Dreams of loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
- Drives you mad,
And what you lost, - remember what you had -
quarta-feira, fevereiro 27, 2013
Santa Maria me fez uma pessoa melhor
Fiquei 15 dias em Santa Maria, acompanhei a tragédia, os enterros, a dor, a revolta, a investigação....retornei para ver como a cidade estava um mês depois. E ela, ela me dói. Santa Maria dói no coração de cada um que tem um filho, um pai, uma mãe, um amigo, um amor. Santa Maria me fez um pessoa melhor, me fez perceber que é preciso viver a vida com toda intensidade. Deixar a tristeza, as brigas, o stress de lado. Que venha a alegria, a paz e a boa vida. Nunca sabemos quando será o nosso último minuto. Por isso seja e faça quem você ama FELIZ!
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