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terça-feira, agosto 13, 2013

A ligação

Gramado.
Massa italiana. De verdade. Com tudo que temos direito. Era de lamber os beiços.
Ríamos com a felicidade simples de ter saciado o prazer da gula.
O telefone toca. Cai.
Toca. Cai.
Toca mais um vez. Finalmente funciona.
A ligação é breve.
Era o que faltava. Era o parmesão fresco. Era a taça de vinho. Era a sobremesa.
A ligação era.
O futuro é. 
Agora não nos falta nada.

Feliz! 

quinta-feira, agosto 01, 2013

Surpreenda-me


Façam a seguinte experiência: entrem no google digitem a expressão "Surpreenda-me" ou o equivalente em inglês "Surprise me". Sabem quantas referências vocês obterão? Mais de 30 milhões. Surpreenda-me, pedem canções, poemas, blogs. Surpreenda-me, pedem-nos as pessoas em geral. Com boas razões.Temos uma tendência irresistível para cair na rotina, para repetir as mesmas coisas, para dizer o que já foi dito, para olhar o que já foi visto. Por que fazemos isso? Em primeiro lugar, por temor ao desconhecido; no fundo, bem no fundo, achamos que as surpresas em geral são desagradáveis e que temos de evitá-las. Em segundo lugar, por comodidade e preguiça. É mais fácil repetir a rotina. Isso até pode funcionar quando se trata, por exemplo, de um trabalho no qual a inovação não é fundamental; ai, "more of the same", mais da mesma coisa talvez seja inevitável. Mas quando falamos na relação a dois a coisa é completamente diferente. Qualquer paixão, por mais intensa que seja, acaba liquidada pela rotina. Muitos jovens sabem disso e se perguntam, inquietos: como renovar os sentimentos? Como redescobrir o amor a cada encontro? A resposta está no "surpreenda-me". Nenhuma novidade nisto: quem escreve contos, como eu, sabe que uma história bem-sucedida, a história que arrebatará o leitor, é aquela que guarda uma surpresa para o final. Mas as histórias de amor que vivemos na realidade não precisam esperar o final.
A surpresa pode aparecer a qualquer momento: um lugar diferente, uma viagem, uma frase, um gesto. Surpreender a pessoa amada é partilhar daquela emoção que tinham os antigos navegantes quando chegavam a um novo país. E, se navegar é preciso, surpreender também é preciso, para chegar ao país da duradoura paixão."

Moacyr Scliar

segunda-feira, junho 17, 2013

12º andar

Nem penso no que eles pensam. Agora entendo porque o garoto não suportava as máquinas ferozes. Elas vivem podando sua criatividade e impondo sentenças medíocres para fins lucrativos. Sim, eu já sabia disso. Mas a gente sempre tenta mascarar a realidade. É como o botão que falta na camisa. O botão falta e você sabe que a camisa vai continuar servindo mesmo assim. 
Ele disse vem. Não fui. E os azulejos permaneciam craquelados. Uma menina sorri no 12º andar. Ela olha para fantasmas.  Mas não os teme. Ainda assim, sorri. O relógio da vida vai tiquetaqueando em minha cabeça. Cada minuto pode ser o último! A umidade relativa do ar afeta proporcionalmente os rins. Faz frio. Nem dá pra bater o queixo. No meio da multidão vi seu riso. Vem. Eu fui. Chega o momento em que as fichas caem e percebemos que mesmo sendo poeira cósmica, um instantinho fugaz, seremos sempre estrelas. Nunca aceite nada menos do que o brilho delas. E não são só números, verbas, gastos. E sim sentimentos. Emoções. Honra. Dignidade e Respeito.
E agora penso lógica e racionalmente como nunca havia feito antes.
Basta de empresas sanguessugas, de políticos corruptos, de mulheres malvadas, de um governo que não investe no que importa, de homens cretinos, de gente que rouba, de impunidade. Basta! 
É hora de arrancar a camisa, esteja ela com ou sem botão. 

sexta-feira, junho 14, 2013

Por um Brasil com mais vinagre

Foto: Daniel Marenco
Eu sou contra os vidros quebrados. Mas a favor das ruas tomadas. Não tolero patrimônio pichado. Mas  gosto muito dos criativos cartazes nas manifestações. Vejo a o quebra-quebra com desdém, mas a voz em uníssono do povo, isso vejo como um novo hino nacional. Gracioso e encorajador. "Sem violência, sem violência" - e isso não sai da minha cabeça. 
Fico pensando cá com meus botões: ainda bem que começamos a reagir. Me chateava essa inércia que nos toma o corpo e a mente todos os dias. Precisamos sim, sair para as ruas. Elas são de fato a nossa arquibancada, no dito país do futebol. E isso, esse rótulo cretino, é o que mais me envergonha. Não tenho nada contra o futebol. Gosto muito dele. Acho importante a prática esportiva e vejo como lazer e diversão para os que torcem. Mas exportar um país como "o do futebol" me irrita. E não é de agora. Poderíamos ser o país das descobertas científicas, o país do rocknroll, o país da natureza, da floresta mais linda do mundo, da literatura, da medicina, da liberdade, das artes plásticas, ou simplesmente sermos o "país sem corrupção". E é aí que entra essa massa que começou - em Porto Alegre - a tomar as ruas. E que agora, se espalha. E tem que se espalhar, espalhar, espalhar e espalhar ainda mais. 
Marchas pela maconha, das vadias, do orgulho gay sempre estão lotadas. E agora nossa marcha também toma proporções. E não, ela não é apenas por 0,20 centavos. Não. Essa marcha, é de quem cansou de pagar imposto e não ter retorno. É de pagar pelos maus serviços e saber que parte dos tributos vão financiar a corrupção. São tantas obras acontecendo, e nenhum hospital cresce aos nossos olhos. Ao contrário. São estádios, avenidas, viadutos, árvores podadas, a cidade se desenvolve (que bom)! E falta exatamente um ano para ficar perfeita aos olhos do mundo. Mas e essas notas fiscais com muitos e muitos zeros que pagam as obras, quem as vê? Onde está a transparência da Copa? Será que em 5 anos vamos descobrir um esquema de corrupção que aconteceu em 2012/2013 nas capitais que seriam sede dos jogos?! Será que os jornais vão estampar o novo valerioduto? Teremos mensaleiros?! Cuecas e calcinhas cheios de dinheiro do gramado estilo Fifa superfaturado?!
Sinceramente, não sei. E quero que isso não aconteça.
Mas nos últimos anos essa mesma população e essa juventude que saiu para as ruas acompanhou tanto escândalo que finalmente começou a dizer: BASTA! Não quero pagar mais por um serviço ruim. Não quero empresas lucrando e inflacionando tudo anualmente, sendo que meu salário não muda nada em um ano.
Estamos chegando no nosso limite. E isso é bom. 
Mas o Estado, que se diz democrático, não gostou disso.
Vide o episódio de São Paulo. A imprensa foi atacada com balas de borracha. Bem nos olhos de quem registra tudo. Quem estava trabalhando, foi agredido. Spray de pimenta. Um click. E o ato lembrava os duros tempos da ditadura. Jornalistas presos. Por tentar evitar os efeitos do gás lacrimogêneo. "Abre a mochila, abre a mochila". 
Ficamos com medo? Que nada! 
Pois que a polícia saiba que nós não escrevemos com as mãos, com os olhos ou a boca. Ledo engano.  Daqui para frente, teremos, queremos e noticiaremos um Brasil com mais vinagre. Em bolsas, mochilas e afins.  
Foto: Internet/2013

quinta-feira, junho 13, 2013

- Cada um dá aquilo que recebe?!
- Não.
- Cada um dá o que tem. E uns tem tão pouco...

(...)

E eles se olharam e chegaram a conclusão mais sábia daquela noite.

quinta-feira, maio 30, 2013

Fidel

Enquanto meu sangue ferver a reação química explica tudo. Não suporto migalhas. Sempre quero mais do que vem nos poemas, nas barras de chocolate, nos livros que alguns julgam tão complicados. Ele anda sempre com a mesma vitrola velha. Com os discos chatos e nada inovadores. Parei na frente da escultura televisionada. Vi e o pior - ouvi - ignorâncias ainda maiores frente a beleza da arte. Ah, o que nos salva vai muito além da sobrevivência fisiológica. Cortaria uma orelha. Alheia. Para não ouvir tanta besteira. Fizeste bem meu velho Vincent. Arrancaria com uma fome/fúria à lá Lecter alguns olhos e daria para os gatos comerem. Não me resigno. Canso do movimento diário. Do passado tão cheio. Do presente vazio. Mas me encanta o silêncio. A quietude de uma pessoa. A sala cheia de amor, mas sempre tão tranquila. Subo e desço escadas. O exercício já dura 3 décadas. Não canso. Aliás penso em mais degraus... Ainda tem essa merda toda rolando e o mapa mais lindo da América segue perdido. Caixas roxas. Falta paciência. Penso em Fidel. Dias de sol. O velho desejo desenhando-se na minha frente como uma noite quente no Caribe. Mulata. 

terça-feira, maio 14, 2013

Angelina, tu é foda!

 
"Eu posso dizer aos meu filhos que eles não precisam ter medo de me perder por causa do câncer de mama."

Sem mais para o momento.

domingo, maio 12, 2013

Me equilibrando na corda bamba da saudade para não cair

Ela me ensinou a ser forte, curiosa e independente. Vai ver por isso ela tenha ido embora tão cedo. Para testar na prática o que me ensinou. Suportei no osso a derrota da vida frente a uma doença terminal. E vivo me equilibrando na corda bamba da saudade para não cair. Sou forte. Vi e vivi nas ruas as histórias mais tristes e bonitas que podiam ser contadas. Sou curiosa. Me viro e pago a minha vida tanto outdoor quando no melhor indoor do mundo...a minha casa linda, cheia de quadros e uma cama magnética. Sou independente. Foram só 26 anos. Lado a lado. Numa convivência com todos os traquejos de uma família normal...brigas, amor, afeto, revolta. 
Teimosa. Leal. Vaidosa. Amorosa. Tempestuosa. Fiel. Sociável. Bonita. Boa de briga. Minha Mãe.
Ela sempre aparentou ser mais nova do que a idade da certidão apontava. Não tinha rugas. Coisa de família. Todos os parentes com esse DNA de Bagé vieram abençoados com o gene do formol. Era só uma linha de expressão na testa. Marca da mulher sisuda que aos 60 parecia ter 50. Mas não era isso que me fazia ficar encantada por ela. Não. Era o jeito de prender o cabelo. Aquele rabo de cavalo que mantinha os fios em perfeição sem o uso de qualquer gel. Era o batom vermelho. Vermelho paixão e mais nada de maquiagem. Para ela lábios pintados já bastavam. A vaidade até para dormir. Lembro das camisolas, pijamas jamais, não são nada femininos, ela dizia. As pérolas em dias de festa. O cuidado com a pele. Ela passava horas se besuntando de cremes. Os anéis de prata e ouro. Lindos em dedos finos. De quem era bailarina mas poderia muito bem tocar piano. A palma da mão mais lisinha e macia que já toquei. Dava prazer tocar nas mãos dela. Eram suaves, delicadas. E ela tinha ainda aquele perfume. Um perfume de pele. Um aroma próprio. Doce, achocolatado. Quando ela saia do prédio, todos sabiam que ela havia passado pelo corredor. Ela tinha esse cheiro só dela. Não era um simples cheirinho de mãe. Não era um perfume importado.Mas era algo que ela trazia. Era o cheiro do amor. Daqueles que elas chamam incondicional. 
E que hoje, no quarto dia das mães sem ela, faz uma falta tremenda. 
Respiro. Inspiro. E o que me resta é lembrar. 

sábado, maio 04, 2013

Os 40 e a dor

Ela chegou na calada da noite. Não. Minto. Era madrugada. Silenciosa. Quieta. Fui ao banheiro e ao retornar para a cama, pela primeira vez na vida meu corpo não respondia aos meus pensamentos. Um tremor incontrolável tomou conta de mim. Frio. Calafrios. Coloquei meias. Um pijama de inverno e deitei. Mas não consegui dormir. 3 e meia da manhã. Extremidades congeladas. Corpo fervendo. De repente meus dentes rangiam sem parar. Eu buscava a calma para deixar a mandíbula sob controle. Mas foi em vão. Foi ai que percebi: tô ferrada. Peguei o termômetro. Coloquei debaixo do braço. O corpo tremia como uma britadeira. Era um terremoto interno. De dentro pra fora. Incontrolável. Tirei o termômetro, não acreditei na marcação do mercúrio. 
40. Assim, redondinho. 40 de febre. Mil coisas passaram pela minha cabeça. Imediatamente peguei um paracetamol, engoli com água. Nem cogitei pegar o telefone. Tic. Desliguei o abajur. Mas foi impossível dormir. O corpo não era mais meu. Ele lutava contra algo que o invadiu violentamente. Meus dentes poderiam se quebrar. Mordi o travesseiro. Mas o ranger não parava. Virei para os lados. Fiquei de bruços. Barriga pra cima. Nada. Delírios. Fiquei assustada. A situação se estendeu por mais de uma hora até eu conseguir dormir.  
Seis e meia. Suor senegalês. Lençóis molhados. Febre sanada. Mas ao sair da cama o que parecia ser uma dor na coluna se transformou na pior dor que eu já senti na vida. Uma fisgada contínua. Uma espécie de paulada no lado direito do corpo, próximo a lombar.  Náuseas. Dor forte. Mais febre. Emergência. Regurgitei a bile. 
Depois de ecografia, exame de sangue, urina e medicação na veia fui diagnosticada com uma infecção renal. Susto. Meu pai histérico no telefone. 
Medicação por dez dias. Dores ainda leves. Repouso total.
Mas ao ficar doente e estar em casa, deitada solitariamente, me lembrei que nesse mesmo sábado, se ela estivesse viva cuidaria de mim. Com todo zelo, amor e cuidado. Ela vinha com suas mãos longas, de dedos finos e pele lisa como a seda me fazer um carinho na cabeça. Colocaria suas infusões na minha testa, faria a febre diminuir. Me traria almoço, janta, café, tudo na cama. Cozinharia pequenas porções sem sal mas com muito amor. Teria ouvidos atentos. Acordaria a qualquer gemido de dor. Mas ela não estava. O que resta são as lembranças e o amor que ainda nutro por ela neste coração. Coração que sabe que mesmo doente, parabenizaria e festejaria com ela seus 72 anos. Mas na ausência dela, minha mãe, vieram as maiores demonstrações de cuidados e carinho. E (re)descobri que quem tem amor e tem amigos, tem tudo! 
Ligações, mensagens, Whatsapp, tudo me animou. É quando a gente tá mais fraco que percebe que pode ser forte. E sem esse carinho tão especial de tanta gente eu não sei se só os antibióticos, analgésicos e antitérmicos adiantariam.

Obrigada, todo meu amor para vocês: Simone, Tuca, Gabriel, Taline, Cibele Carneiro, Matheus Bonez, Carol Zogbi, Luciana Mismas, Lu Echevarria, Sheron, Kellen, Gabriela, Cibele Carvalho, Déa, Vera, Virgilio, Fonta, Horácio, Giórgia, Karol, Janine, Mineiro, Nanda e tantos outros que foram tão amáveis. A preocupação de cada um só faz aumentar a vontade de tê-los por perto para sempre. #friendship

E o meu agradecimento mais que especial vai para ele: Vinicius. Que se superou nos cuidados de enfermeiro e deixou de lado o finde com os "broders" em Porto Alegre, para ficar enfurnado no meu leito. Obrigada pela sopa maravilhosa, pelas tulipas lindas, pelo blu ray de presente, pelos pequenos mimos, pelo carinho, pelas cobranças para tomar os remédios bem na hora certa, pela cia que me anima, pelos beijinhos para sarar a dor e principalmente por ter deixado esse teu cheirinho no travesseiro do lado, ele é o elixir aromático da minha recuperação! TE AMO! #love

quarta-feira, maio 01, 2013

Adoradores do copo de plástico

                                                      Agora desbravando terras cariocas!

terça-feira, abril 30, 2013

O magnético

Percebi a importância dele ainda na adolescência. Fui questionar a família  e descobri que foi por causa dele que vocês me chamam assim: Priscilla. Meus pais eram fãs de rock, para minha surpresa - descobri  agora - na idade adulta. Ela, a bailarina. Ele, o hidrólogo. Dois mundos diferentes, mas que com a convivência foram percebendo as semelhanças. E a música era uma delas. Foram a shows. E também tiveram uma juventude ao som do melhor que o mundo da música poderia oferecer:  Beatles,  Rolling Stones e ele - o Rei do Rock - Elvis Presley.

De couro é para matar a Wonder moça aqui...


Ainda menina eu ouvi muito "Kiss me quick" (a música favorita do meu pai) e Suspicious Minds (a 'fave' da mamãe). Com o advento do dvd ganhei uma coleção com shows e vídeos do Elvis e desde então ele entrou na minha vida com intensidade. Mas agora, em 2013, eis que pela primeira vez assisti um "The Elvis Tribute" - com o cover mais foda do cara. Foi uma experiência maravilhosa. Um espetáculo de dança, voz, música e homenagem. Foram quase 2 horas com as músicas que fizeram dele, mesmo trinta anos depois, o artista solo com o maior número de hits nas paradas mundiais, e mais, ele é o maior recordista em vendas de discos até hoje (ui). E foi ali, na confortável cadeira do teatro que percebi: nossa o cara é O CARA! Fico imaginando as pessoas que viram o verdadeiro. E ao ficar na internet assistindo os velhos registros dele (viva a televisão e o cinema que eternizam TUDO) cheguei a uma conclusão. Elvis não tinha só carisma, potência vocal e um rebolado de cair o queixo. Não, ele era mais que aquele rapaz com o rosto de traços perfeitos e roupa de couro. Ele prendia, hipnotizava. Ele era - definitivamente-  magnético.

Aqui um show completo, já nos anos 70, mais tiozão!



E que toda Priscilla tenha um rei.
A do Presley, foi rápida, teve o do rock. ;)

domingo, abril 28, 2013

terça-feira, abril 16, 2013

As pequenas gentilezas do caminho

Corro desenfreadamente. Todo dia. Celulares não param. Odeio a solidão das refeições sem família. E família pra mim são dois. Duas casas não são lares. São viagens. Minhas crianças crescem rápido e como são lindas. Até nisso, na infância, beleza é fundamental. Já diria o velho Vinicius. Ah o meu não é poeta e sim iconoclasta. Trabalho. Tenho aventuras. Histórias. Equipe. Mas é quando estou sozinha, ou lado de outras pessoas da família que acontecem aqueles momentos de rubor. 
Meio dia, sol tinindo na cara. Corro, as usual. Campo de visão reduzido e mesmo tendo olhos de jaboticaba o sol franze a minha testa como se houvessem límpidas córneas azuis acima deste nariz.  Ela devia ter uns 75. 80 anos no máximo. Me abraçou. Parabéns, minha filha. Parabéns. Aeroporto vazio. Domingo. Aperto no peito. Um carrinho se aproxima - pára - grita a mulher. Fico até assustada. Beijos e um abraço apertado. Daqueles carinhosos (e calorosos) mesmo. Fiquei meio sem ter o que dizer e ela saiu dizendo: lembra de mim? 5ª série? - Ah, como é bom encontrar uma professora que foi símbolo de uma educação feliz. Te vejo na TV, mas quero aqueles cabelos crespos de volta, guria. Eu também. E como.  
Supermercado. Páscoa. Ovos sob nossas cabeças. Meu pai surtando com o povo e eu só queria fazer compras tranquilas. Deixa eu tirar uma foto contigo - num tom impositivo. Oi?! Te adoro, aos gritos. Mas não sou artista. Sou jornalista. Não interessa. Meu pai enche o peito. Rio. Strike a pose. Centro da cidade, 19h, entro no ônibus. No primeiro banco um vovôzinho. Desses de cabeça toda branca como algodão. Mal olho pro lado e ele diz: te assisto sempre. Aliás, tô indo pra casa agora te ver as oito e meia. Sou teu fã! Continua assim, menina. Os passageiros me olham. Agradeço constrangida. Mas ao sentar no banco eu penso: é de quem a gente menos espera que surgem as pequenas gentilezas do caminho. 

terça-feira, março 26, 2013

No outono eu quero...

Livros com dedicatória. Chuva no rosto. Verdades absolutas. Roupas limpas no varal. Um prato a mais na mesa de jantar. Músicas velhas. Encantamento. Emails lindos de ler. Riso fácil. As cantadas vindo da pessoa certa. O Deus das pequenas coisas. Distâncias curtas. Sinceridade. A alegria das surpresas. Uma ligação telefônica: "I just called to say..."Terminar leituras. Não desistir do boxe. Continuar evoluindo. Devoção. Matérias boas. Joelhos saudáveis. Ganhar flores. Uma mix tape em forma de cd. Ter mais paciência. Continuar aprendendo. Dividir a vida. Fidelidade. Uma velha Remington (não, não é a arma). Junkebox. A lua. Tão minha lua. Esquecer da tristeza. das tragédias. dos problemas. Ver o sol se pondo todo dia. Mais Yoga. Receber cartas. Felicidade. Observar estrelas. Acender incensos. Ser mimada. O cheiro bom de terra molhada. Taças de vinho. Longas conversas. Parar de roer as unhas. Falar mais baixo. Beber com moderação. Ser recompensada. 
E no final de tudo, como sempre, eu só quero amor.
Eu só quero amar. 

segunda-feira, março 25, 2013

A estrada vai além do que se vê




Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê

Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu
Sei que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel

Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás

Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou praí te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bamba usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão

É bom te ver sorrir
Deixa vir a moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: assim é que se faz!

Sei que a tua solidão me dói...
Sei aquela mesa de jantar...