'S Wonderful! 'S Marvelous! You should care for me! 'S awful nice! 'S paradise! 'S what I love to see!
segunda-feira, março 19, 2012
Receita de mulher
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.
É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível.
É preciso
Que tudo isso seja belo.
É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens.
É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado.
É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde.
Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo.
Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente.
Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebal
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério.
Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos.
A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau.
Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Vinicius de Moraes
Procuro apartamento
Foi aqui em Porto Alegre, há 28 anos. Era madrugada no bairro Bom Fim onde nasci. Cheguei de susto a um casal já maduro para ter filhos. Mas que mesmo assim me recebeu pra lá de bem. Gostaram tanto de mim que preferiram me manter única. Daí meu temperamento, minha inconformidade, minha relutância ante a resignação. Seria mimo demais? Vai saber... Contam que custei a chorar. Talvez porque, mesmo naquele primeiro sopro de vida, eu já desse sinais de ter gênio difícil, pra não cair no simplismo de dizer que sou furiosa. O bom para, os que me são caros, é que uso essa mesma tenacidade incandescente para defendê-los. E como!
Sou gremista, confesso que à beira do fundamentalismo, mas a compaixão e as aspirações humanitárias me fazem conviver bem com os outros. Livros, doces, flores, música, cinema e outras delícias compõem a base da minha alimentação. Acho que a dança e as artes plásticas são as minhas melhores expressões, além de cozinhar muito bem (pelo menos é o que dizem). Faço yoga, desenho, francês. A vida tem que ter aprendizado. Sou curiosa por natureza. E que natureza! Daquela que pode ser selvagem e mansa, mas que sempre é minha. Natureza que talvez tenha encantando um homem. O meu homem. Aliás, casei e nem falei. A alegria demasiada às vezes precisa ser preservada.Tenho dois filhos, de coração. Helena e Joaquim são as minhas esperanças no futuro. São o que há melhor no termo conhecido com amizade! Meus afilhados, meus amores.
Com essa mistura, a que chamo “priscillismos”, toco a vida de jornalista desde quando ingressei na PUC, há onze anos, sendo que cinco deles já são dedicados à TV. Acho que até antes de me formar era assim. É, porque, mesmo defendendo a exigibilidade de ingresso diplomado na profissão, penso que a gente já nasce mais ou menos jornalista, pensa e age como tal mesmo antes de ganhar a vida dessa forma. Comecei em um estágio em uma assessoria de comunicação do Estado. Um ano depois fui parar na Assembléia Legislativa, onde fiquei três anos como assessora e repórter. Foi ali que surgiu a paixão pela política.
Aliás, é outra coisa estranha essa de gostar tanto de política: eu sempre me imaginei fazendo jornalismo cultural, talvez. Mas a idéia de que o assunto me fascinava se consolidou durante a minha passagem pela editoria de política do Correio do Povo, em 2007. Um pouco depois surgiu um teste para a recém criada TV Record RS. Hoje, sou repórter de rede nacional, falo de tudo e todos, chego cedo, saio tarde. Gosto de contar história, boas histórias. E como todo bom soldado, sou pau pra toda obra.
No final das contas já vendi meu carro, tenho esses dentes bem branquinhos como marfim de elefantes africanos, gosto de esmaltes vermelhos e unhas curtas, perdi a minha mãe por causa de um câncer, meu sotaque é beeeeem de Porto Alegre, adoro jazz, sou consumista sem controle, ensolaro quando chego, tenho mais alma do que calma, amo o Vinicius e procuro um apartamento. Com 3 quartos, sacada, garagem e elevador, por favor!
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quinta-feira, março 08, 2012
quarta-feira, março 07, 2012
Viver é perigoso e por isso delicioso.
Chegamos aqui.
Entre mortos, mortas, feridos e feridas, chegamos aqui.
Houve tsunamis, terremotos. guerras, acidentes, vulcões, erupções, ventos, ciclones. Muitas pessoas foram levadas, arrastadas, engolidas, desaparecidas.
Nós ficamos.
Estamos aqui. Com tropeços, com feridas, mancando e nos arrastando - chegamos aqui.
Há os mais fortes e destemidos que saltaram os obstáculos, mas até quando saltarão?
Transitoriedade.
Velhice, doença e morte.
E depois da morte? Como é?
E depois da vida? Como será?
Estamos aqui.
Onde estamos é o local sagrado e precioso.
Nossa vida.
Minha vida, a sua vida, a nossa vida.
Viver é perigoso e por isso delicioso.
Nesta caminhada sem começo e sem fim, nada surge e nada desaparece, apenas é. [...]
Monja Coen. É por essas e outras que gosto dos budistas ;)
Entre mortos, mortas, feridos e feridas, chegamos aqui.
Houve tsunamis, terremotos. guerras, acidentes, vulcões, erupções, ventos, ciclones. Muitas pessoas foram levadas, arrastadas, engolidas, desaparecidas.
Nós ficamos.
Estamos aqui. Com tropeços, com feridas, mancando e nos arrastando - chegamos aqui.
Há os mais fortes e destemidos que saltaram os obstáculos, mas até quando saltarão?
Transitoriedade.
Velhice, doença e morte.
E depois da morte? Como é?
E depois da vida? Como será?
Estamos aqui.
Onde estamos é o local sagrado e precioso.
Nossa vida.
Minha vida, a sua vida, a nossa vida.
Viver é perigoso e por isso delicioso.
Nesta caminhada sem começo e sem fim, nada surge e nada desaparece, apenas é. [...]
Monja Coen. É por essas e outras que gosto dos budistas ;)
segunda-feira, março 05, 2012
Essa mina é f***
Eu já tinha dado a dica lá em julho do ano passado, e desde então Florence é uma máquina, de músicas. Pelo menos para mim!
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
Definitivamente: me and my girls
You a bad girl and your friends bad too, oh /
We got the swag sauce, she drippin' swagu
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Você tem medo de querer....me amar!
Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio
Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo de você
Você tem medo de querer ?
Você diz que eu sou demente
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu simplesmente
Sou carente de razão
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo de você
Você tem medo de querer...me amar
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
terça-feira, janeiro 31, 2012
Oficialmente
I
Inspiração é transpiração. Quando me vem a onda gigante de idéias, de formas, conteúdos, minha mente só tem um pensamento e é diretamente no meu corpo que esse pensamento toma forma, ou aparece. Destino ou fatalidade. O jornalismo e a ciência vivem apenas de evidências, fatos, provas. Somos iguais e nem percebemos. Valorizamos tanto as nossas diferenças que não notamos as milhares de semelhanças. Quando chove eu penso no que ela sentiria. Será? Mais uma vez? Vai trabalhar. Os mais velhos sempre tem razão. Pé no chão, isso, é isso. É a razão.
II
A mente sem utopias e falsos ideais. A racionalidade dele é a chave para a minha emoção. Nada como um homem da terra, na terra. O mapa astral apontou que isso aconteceria, mas afinal astrologia não tem nada de exato. Descobertas reais sim, tem provocado os meus sentidos. Comida vegana, andar de bicicleta, literatura sem fim, trilhas no mato, o sol vermelho do amanhecer, dor de estômago, piadas infames, reformas na casa, Lynch, cerveja importada, cinema, hakepetter, jorgite, museus e tapiocas. Sem esquecer do rocknroll dos anos 70. Então eu descobri - por ele - que sou uma 'excitante coleção de idiossincrasias da forma". Antes disso, antes do dia vinte e oito de outubro de 2009, o mundo ainda era um espaço vazio, a internet um depósito de palavras ao vento e nenhuma bactéria seria capaz de mudar minha vida.
III
Mas vieram as brigas. Nossa, a arte da guerra é uma prática quase vital para alguns seres humanos, e faço aqui meu réu confesso. Não há nada mais gostoso que fazer as pazes. Mas antes eu tenho prazer na belicosidade armar a tempestade, os ventos destruidores com gritos e urros de uma verdadeira apenada do Madre Pelletier. Nada que um aperto no braço e um homem durão não resolva. As pessoas mais calmas são as que resolvem os problemas com mais facilidade.
IV
Vida fácil. Não é a nossa um tear de gracejos e boas histórias? É. Dormir sozinho não faz mais sentido. Pintar quadros, escrever poemas, usar uniforme, a vida nunca é igual e cada vez fica mais divertida, admirável, intensa e rentável. Viver é pagar impostos e pedir um balde. Viver é errar muitas vezes e acertar de vez em algumas poucas. Eu errei tanto que aprendi a receita. Taco bell, martini, filé ao funghi, moqueca. Ainda vou comprar um video game. É preciso disputar alguma coisa com quem tanto se divide o precioso tempo.
V
Afinal, oficialmente somos apenas poeira das estrelas. Isso, isso mesmo. E "diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer dividir um planeta e uma época com você", ou melhor, com ele, parafraseando Sagan. Ah, e o que dizer desse devorador de livros com essa inteligência gigantesca e afrodisíaca. Isso foi tudo que ele precisava para me ter em mãos: o cérebro. Não há nada mais excitante que um homem inteligente, não um intelectual chato, mas sim alguém cheio de conhecimento e doudo para dividi-los.
VI
Ainda bem que tenho o nêgo. Que é confundido com árabe. E que gostaria de me fazer usar uma burka nos pés. Aliás eles não são tão lindos quando estão com as unhas coloridas de vermelho?!
TE AMO!
segunda-feira, janeiro 30, 2012
sábado, janeiro 28, 2012
Cada vez melhor
I should've
been a little bit stronger
I should've
been a little bit harder
Should've
been a little bit tougher
Should've
been a little bit smarter
Should've
been a little bit rougher
Should've
been a little bit stronger
Should've
run a little bit faster
Away from
you baby
Away from
you...
sexta-feira, janeiro 20, 2012
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Jupiter and beyond the infinte.
Em 1968 esse filme deve ter sido uma loucura sem explicação. Hoje, ontem e sempre será um épico do cinema mundial. Uma leitura linda da evolução humana, da inteligência artificial, do sentido da vida.
2001: Uma odisséia no espaço.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Hors-temps
Je le regarde.
Et je me jette dans l'eau noire, profonde, glacée et exquise de hors-temps.
Et je me jette dans l'eau noire, profonde, glacée et exquise de hors-temps.
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V.
domingo, janeiro 15, 2012
É sério
Criei um muro de proteção.
Gotas, vento, o varal cheio de roupas. Pó
Foi um passo grande, daqueles que é preciso coragem.
Depois de muito tempo sem acreditar na possibilidade de dar certo.
Eu acreditei.
Agora, só o tempo dirá.
Mostrei minhas raízes.
Abri meu coração.
Não tenho medo do escuro, nem da solidão.
Aprendi a viver sozinha e tão bem acompanhada.
Água, discos e cremes devem fazer bem.
Minha cor é de cuia.
Minha família é sagrada.
sábado, janeiro 14, 2012
Infância
Tá decidido, meus filhos e - ocasionalmente - meus afilhados quando forem até a minha casa, só vão assistir na TV e/ou DVD coisas que eu gosto. Isso mesmo. E não venham me chamar de ditadora. Afinal, vão ser clipes, filmes, músicas dos quais acredito que vão ajudar na formação e evolução dos pequenos. Sei que já fui criança, que já gostei da Xuxa, do Balão Mágico e do Fofão. Mas sei que também fui apaixonada pelos meus discos "A Arca de Noé 1 e 2" do Vinicius de Moraes e que tinha aquele clássico "A Casa", lembram?! E também do disco dos Saltimbancos adaptado pelo mestre Chico Buarque.
Ontem, assisti o filme de 1968 dos Beatles - Yellow Submarine e sei, sei bem que a piração dele não é para crianças. Mesmo assim, eu insistirei que elas assistam. Música boa se apega, se gosta, se ouve desde pequeno.
Claro que existe o livre arbítrio, para cada um fazer o que gosta e o que quer. Mas há também pessoas que nós fazem ver o mundo mais bonito, mais profundo, mais intenso. Minha dinda, que eu amo de paixão, é uma dessas pessoas. Foi lá na casa dela que descobri a música clássica, o jazz e a mpb. Também foi na casa dela, ainda pequenina, que aprendi a ler sobre artes plásticas. A minha segunda mãe me mostrou coisas que a minha mãe não havia mostrado e que me tornaram - eu espero - uma pessoa melhor.
Trailer do filme lindo lindo dos Beatles. Uma pira, mas muito legal!
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sexta-feira, janeiro 13, 2012
Um tapa na cara do tal Teló
Não posso deixar de falar do assunto.
Quando mais elogio, mais sou incompreendido.
Eu amo a estética do lixo.
E adoro a verdade.
Chamo lixo de lixo, chinelagem de chinelagem, baixaria de baixaria.
Gosto de me “acanalhar”.
Frequento funk disfarçado de deputado federal.
Lixo para mim é arte suprema.
A democracia fez um bem danado para a nossa criatividade.
A
cada ano estamos melhores e mais famosos no mundo.
Na ditadura, eram aqueles chatos com suas entrelinhas, Chico Buarque e outros trancados no armário.
Depois do fim do regime militar, livres das censura, floresceram nossos gênios.
Michel Teló é o ápice dessa evolução.
Alguns dos primeiros sinais dessa maré criativa apareceram com a boquinha da garrafa.
Foi um dos momentos mais sensuais da nossa nova era musical.
Tivemos a explosão de deusas com letras desconcertantes como aquela, maravilhosa, vai rolar a festa.
A tempestade criativa continuou: bombamos com a genial rebolation, uma mistura de modernismo com pós-modernismo, de Joyce com Guimarães Rosa, de concretismo com sacanagem.
Do carvalho!
E teve também o novo lobo mau, diz aí menina onde você vai.
E o refrão, que refrão, pós-tudo: vou te comer, vou te comer, vou ter comer.
Tropicalista, baianista, antropofágico, pirotécnico.
Toda ano, uma nova obra-prima,
A arte do escatológico levada ao extremo.
Aí chegou o Teló e matou a pau.
Nunca fomos tão longe.
Tudo pelo hedonismo, pelo prazer, pelo acasalamento.
Coisas que intelectuais tapados não compreendem.
Teló representa o pós-humano, o pós-orgânico, o homem ciborgue, o homem finalmente liberado de uma parte do seu corpo, parte inútil, parte chata, parte criadora de problemas, dispensável, o cérebro.
Eu sempre fui contra a ditadura militar, aqueles generais broncos, um sem pescoço, todos carne de pescoço, mandando torturar, matar, prender, arrebentar, censurar e ainda ganhando nome de rua.
Pelo jeito, se quiseremos ter novos Chico e Caetano, teremos de pedir a voltar dos coturnos.
Sem repressão, o pessoal não se inspira.
Fica só na aspiração.
No tempo dos milicos a imaginação popular tinha os seus ícones, de Sidnei Magal a Valdick Soriano.
O duplo sentido, essa arte milenar do bom gosto popular, cantava coisas como onde a vaca vai, o boi vai atrás.
Não tínhamos a Florentina nem a eguinha pocotó.
Ou já tínhamos?
Ou tudo isso já estava no Decamerão e em Gargantua e Pantagruel?
Sei lá.
Sei que agora estamos no auge, na liberdade absoluta, no apogeu.
Michel Teló é o novo Glauber Rocha, o tropicalismo inteiro num homem só.
Meu ídolo.
Barroco, barraco, chacrinesco.
Nada de ditadura.
Salvo, quem sabe, para nos salvar dos humoristas atuais.
Só a ditadura poderia nos livrar do CQC.
Só no pau-de-arara Danilo Gentilli pararia de defecar pela boca.
Quanto ao resto, tudo tem meu apoio.
Especialmente aquela obra-prima, aquele refrão, aquela pérola,
Ai se eu te pego!
Complemento à sacada genial, poética, burilada, dar uma fugidinha com você.
Que tempos!
Que mal tem?
Nenhum.
Só os intelectuais não compreendem.
Não pegam ninguém.
Teló é a cara do Brasil, desse Brasil que dá certo, que brilha lá fora, que ama a vida, que goza e reverbera.
Chegamos no alto. Por baixo.
Ano que vem tem mais.
Como dizia Guy Debord, o que é bom aparece.
E o que aparece é bom.
O resto podem ser muito bom.
O muito bom é ruim.
Choro de perdedor.
E viva Michel Teló.
E pau-de-arara para o pessoal do CQC.
Do mestre Juremir Machado da Silva
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Não vou dizer nada, quase nada
Não posso dizer sobre o que esse livro se trata. Só conto que gostei. Claro que o final - na minha opinião - poderia ser outro. Mas o elemento surpresa, a narrativa preciosista, o mundo imperfeito e totalmente real traçado nas linhas de Chris Cleave fizeram eu ler "Pequena Abelha" com muita vontade. Infelizmente o livro vai ser adaptado para o cinema - digo infelizmente porque as adaptações sempre perdem a essência e o mundo fantasioso que criamos lendo. Nicole Kidman vai ser uma das protagonistas, obviamente Sarah, a jornalista inglesa e editora de uma revista de efemeridades. Do outro lado, quem será Abelhinha?! A nigeriana, refugiada, cheia conteúdo e personalidade?!
Esse livro passa rápido, mas permanece na mente do leitor durante muito tempo. Por isso, uma resenha para o livro é dispensável, afinal tudo sobre ele já está escrito na capa e contracapa "ambicioso e arrojado", "brilhante", "belamente escrito". Tudo dito, pelos maiores jornais do mundo. E acredite, eles estão certos disso.
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