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domingo, março 17, 2013

A kamikase

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos pelas minhas lembranças. Foi num daqueles finais de semana na casa da minha dinda - que é sim a minha segunda mãe - que conheci o Furacão. Minha madrinha pegava sempre um vinil e colocava pra gente escutar (e ela sempre teve só o melhor, passando do jazz à mpb). E numa daquelas tardes, e isso me lembro bem, fiquei encantada com a capa do disco "Falso Brilhante", acho que eram o elefantes circenses que me chamaram a atenção. Pedi para ouvir...e quando escutei "Como nossos pais" fiquei pasma. A voz daquela mulher era incrível, intensa, forte, rouca, quis mais. E com o passar dos anos fui querendo e querendo e querendo. Ganhei 'vinils', cds, me trancava no quarto durante a adolescência para cantar Elis. Era mágico. Conheci sua vida lendo biografias, assisti seus vídeos (viva a televisão e seus festivais), descobri que a gaúcha, gremista, temperamental, que amava o Rio de Janeiro não tinha medo de entrar de cabeça nas coisas. Era uma "kamikase". Também pudera: com aquela voz, aquela interpretação e aquele repertório, e uma alma louca dos que amam sem medo a baixinha furiosa era imbatível. E ainda é. Hoje, ela faria 68 anos. E eu vou ver minha dinda. 


"Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"!

quarta-feira, março 21, 2012

Perdigueira

Meus amigos reclamam quando suas namoradas o perseguem. Lamentam o barraco do ciúme, a insistência dos telefonemas para falarem praticamente nada, o cerceamento dos horários.

Eu me faço de surdo.

Fico com vontade de pedir emprestada a chave da prisão para passar o domingo. Acho o controle comovente. Invejável.

Não sou favorável à indiferença, à independência, ao casamento sartreano. Fui criado para fazer um puxadinho, agregar família, reunir dissidentes. Duas casas diferentes já é viagem, não me serve.

Aspiro ao casamento pirandelliano, um à procura permanente do outro. Sou um totalitário na paixão. Um tirano. Um ditador. Não me dê poder que escravizo. Não me dê espaço que cultivo. 

Quero uma mulher perdigueira, possessiva, que me ligue a cada quinze minutos para contar de uma ideia ou de uma nova invenção para salvar as finanças, quero uma mulher que ame meus amigos e odeie qualquer amiga que se aproxime. Que arda de ciúme imaginário para prevenir o que nem aconteceu. Que seja escandalosa na briga e me amaldiçoe se abandoná-la. Que faça trabalhos em terreiro para me assustar e me banhe de noite com o sal grosso de sua nudez. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando.

A mulher que ninguém quer, eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer.

A mulher que não sabe amar recuando e não tolera que eu ame atrasado. Alegria pequena e preciosa de respirar rente ao seu nariz e definir com que roupa vou ao trabalho.

O amor é uma comissão de inquérito, é abrir as contas, é grampear o telefone, é cheirar as camisas. É também o perdão, não conseguir dormir sem fazer as pazes.

O amor é cobrança, dor-de-cotovelo, não aceitar uma vida pela metade, não confundi-la com segurança. Exigir mais vontade quando ela se ofereceu inteira.  Quem aspira ao conforto que se conserve solteiro. Eu me entrego para dependência. Não há nada mais agradável do que misturar os defeitos com as virtudes e perder as contas na partilha.

Não há nada mais valioso do que trabalhar integralmente para uma história. Não raciocinar outra coisa senão cortejá-la: avisá-la para espiar a lua cheia, recordar do varal quando começa a chover, decorar uma música para surpreendê-la, sublinhar uma frase para guardá-la.

Quero uma mulher imatura, que possa adoecer e se recuperar do meu lado. Uma mulher que me provoque quando não estou a fim. Que dance em minhas costas para me reconciliar com o passado. Que me acalme quando estou no fim do filtro. 

Não me interessa um tempo comigo quando posso dividir a eternidade com alguém.

Quero uma mulher que esqueça o nome de seu pai e de sua mãe para nascer em meus olhos. Em todo momento. A toda hora. Incansavelmente. E que eu esteja apaixonado para nunca desmerecê-la, que esteja apaixonado para não diminuí-la aos amigos.

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É meus amigos, será que esse cara acima existe?! 

Quem dera! Afinal, a mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor. Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria. Ela é vista como uma figura perigosa louca, desvairada. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca.  Boca que sempre quer beijos. Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado. O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo. Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé. 

Que pena, não?!

quinta-feira, outubro 28, 2010

domingo, outubro 17, 2010

Argumente

Tem gente que me tira (com razão) para irritada, nervosa, agitada, vulcânica. Talvez seja. O que não admito é quem rebate a argumentação como polêmica. Não. Polemizar beira o escândalo, o devaneio. Acredito que os polemistas do Brasil de hoje são, de certa maneira, egoístas, uma vez que colocam suas opiniões como verdades fundamentais e buscam impor esta aos seus ouvintes e leitores. Mas existem aqueles, que, por outro lado, não deixam de ser importantes na formação de opinião, pois dizem o que pensam, às vezes sem pensar no que dizem. Desses eu gosto. Gosto mais dos pensadores irracionais do que aqueles que rotulam ciência, política, religião, cultura, tudo baseado em alguma referência bibliográfica. Ainda bem que existem os diferentes e as diferenças. Os opostos e divergentes. O mestre da literatura marginal, Nelson Rodrigues, já dizia: "Toda unanimidade é burra". É por isso, que alguns nasceram (ainda bem) para ser do contra. Seja eu ou você.

terça-feira, junho 15, 2010

Nem tô!

Copa do mundo não me excita. Não gosto desses jogadores, não vejo emoção nesse patriotismo escrachado e instantâneo que brota nos brasileiros. Ainda se fosse para uma corrida eleitoral, num dia vibrante de decisão, como as eleições, eu entenderia essa civismo. Mas ah, podem me xingar e me chamarem de garota enchaqueca. Nem tô, sou mais gremista que brasileira mesmo. Aliás, como dizem os paulistas, sou separatista (com orgulho) e vivo em um outro país: A República Cisplatina do Pampa!

segunda-feira, abril 12, 2010

Dia de presentes...

Victoria Secrets e 212.
Ai, ai, ai...bem boba e pra ficar bem perfumada!

domingo, abril 11, 2010

Ovo frito

Não nasci pra passar em branco. Nasci preta pra fazer a diferença! Não crio rusgas, não julgo, muito menos crio desafetos e não falo mal dos outros. Mas....incomodo. Sem fazer nada. Sem fazer a mínima força. Isso mesmo, acho que até hoje 2 e agora 3 pessoas fuçam na minha vida, querem o que eu tenho, julgam o meu ser, sem ao menos saber quem/e como eu sou. Por isso, pra essas pessoas que falam de mim - diariamente* - para os colegas de trabalho. E detalhe: que me xingam me chamando de bonita, burguesa e famosa. Pra elas eu brilho. Ensolaro. Mas cuidado, porque em Porto Alegre todo mundo se conhece e eu que conheço todo mundo, sempre fico sabendo. Então, Ovo frito, tome cuidado ao falar de alguém... E ah, vou continuar sim, ouvindo Beyoncé até morrer. Ela, Lady Gaga e JLO. Todas- pelo menos - pintam a sobrancelha!
Pra ilustrar o post: o pop do pop... e morra de inveja!


domingo, abril 04, 2010

sexta-feira, março 26, 2010

Terceira Pessoa

O que você prefere: um 'bom dia' ao acordar ou apenas levantar da cama? Oferecer um copo d'água ou cuidar do gelo? Um ou outros? É engraçado cobrar. A vida deveria ser um eterno escambo. Mas sabe se lá porque o ser humano cria expectativas extraterrenas sobre os outros humanos. Ninguém é perfeito. Eu sei. Mas há quem teime (como eu, por exemplo) em depositar a fé nas pessoas. Por mais que muitos acreditem que ela seja dirigida a um Deus. Ledo engano. Ele se engana. Fé é oxigênio. Não religião. A fé começa com um álbum de figurinhas e não termina com ele. A fé começa de mãos dadas no cinema e pode se transformar em empurrões num balanço. A fé começa sem importância. Mas para ele, ela talvez não importe mesmo. A fé tem gosto de infância. É doçura. Mas ele não conhece o açúcar da vida. O melado. Os pequenos gestos. A alegria sincera das coisas simples. Nunca tinha visto um somatório de fatos e acontecimentos e pessoas sem a capacidade de exercer a fé. Ou o amor. Ou apenas a sensibilidade.

Primeira Pessoa

Dai eu paro e penso: Você não percebe? Você já reparou? Mas lembro que um dia alguém escreveu assim "A minha vidinha ia muito bem até que....".É eu sei. sentou na graxa irmão. O roteiro é quase sempre o mesmo. Mudam os personagens. Os finais nunca são felizes. Tem que ter aquela voracidade de Nelson Rodrigues e evitar os horrores do dia-a-dia. Mas no momento que cair a ficha, já eras. Espero que não seja tarde. Espero - sim - que tudo evolua. Que não seja filme. Mas sim livro. Pra se escrever a duas ou quatro mãos. Mas não, que o mundo não se preocupe em me levar a sério. Levem apenas as minhas reportagens a sério. Preocupe-se apenas em continuar sendo o que você é. Eu gosto de ser quem eu sou. Gosto oras. Da minha ternura escondida. Do desejo contido. Do senso ético. Do moralismo. Do meu consumismo que, na verdade, não é um mero consumismo, mas um fascinio sincero e incontrolável pela cultura pop que nos abraça. Do meu egocentrismo. Da mania de implicar comigo mesma. Dos dentões branquinhos. Da melanina. Do meu amor pelo que é bem feito - seja um café, seja um livro, seja uma canção. Da mania de me dar rosas semanalmente. Do meu respeito pelos mais velhos. Da minha visão de justiça. Do meu conceito de belo. Dos acessos de raiva misturada com um "no fundo eu gostei". Do meu resmungar matinal. Do ciuminho infantil. Dos palavrões e chavões e coisas que eu falo que soam como poemas. Dos pedaços de chocolate e dos goles de coca cola. Isso tudo é uma grande felicidade. Uma felicidade só. Uma felicidade minha.

terça-feira, janeiro 05, 2010

quarta-feira, dezembro 16, 2009

segunda-feira, dezembro 14, 2009